sábado, 20 de março de 2021

Era do egoísmo

Na era do egoísmo, é tudo muito difícil porque não dá para saber se o problema está em não demonstrar, ou em demonstrar… Por exemplo, o afeto.

Quando você não demonstra o que de fato sente, o outro imagina o que quer, o outro é da mesma forma, está buscando segurança antes de dar mais passos, porque infelizmente, atualmente, estamos todos fodidos mentalmente. 


Desconfiamos de quem diz que sente, e até que o outro prove o que diz sentir, preferimos nos manter ausente. Beber orgulho a noite toda para acreditar que, estar só é melhor do que pisar num campo misterioso, que faz com que questionemos constantemente se devemos estar ali mesmo.


É muito fácil querer transparência e demonstrações quando não somos nós que temos que fazer isso, realmente.


Chega a ser difícil interpretar o que queremos demonstrar, porque nossas emoções nos colocam em situações de extrema vulnerabilidade. E ai que está, estamos sempre correndo para longe de situações que podem nos colocar em posição de fragilidade.


Não é anormal pensar assim, veja porque, me mostre alguém que tem responsabilidade afetiva por você? 


Somos egoistas. Vivemos a era do egoísmo, não porque achamos ser o melhor, mas para tentarmos sangrar menos. 


Quando demonstro, sinto paz até certo ponto, depois me arrependo.


Me arrependo porque todos têm medo, e quando mostro meu lado puro e verdadeiro, o outro encara com receio de estar sendo enganado, e então, ele começa a andar para trás... E eu? não demonstro mais. 


No fundo, eu entendo. Não julgo porque, desgraçadamente, eu faço o mesmo. 


Haja terapia para suprir a necessidade de mais da metade da humanidade, humanidade essa que nem imagina precisar de terapia, pois é, agora me diz? É errado preferir ocultar emoções, tendo em vista que o outro não saberá lidar com isso, e nem nos? 


Talvez, pensar demais sobre isso não nos trará conforto, mas viver sem estar consciente do que sente, cá entre nós, é ter morte lenta, sofrimento constante. É pior do que pisar com os olhos vendados num campo minado. 


Convenhamos, eu gosto de correr risco, mas não a ponto de sacrificar a minha vida. 


Mas…


“Não há como saber até que passo seremos felizes... Caminhar demais, até caminhar sozinho. Estar só e consciente pode não lhe trazer felicidade, mas veja, a ilusão também não traz. Portanto, desfrute de qualquer forma, e talvez, a felicidade seja a confusão” - B.G