Na era do egoísmo, é tudo muito difícil porque não dá para saber se o problema está em não demonstrar, ou em demonstrar… Por exemplo, o afeto.
Quando você não demonstra o que de fato sente, o outro imagina o que quer, o outro é da mesma forma, está buscando segurança antes de dar mais passos, porque infelizmente, atualmente, estamos todos fodidos mentalmente.
Desconfiamos de quem diz que sente, e até que o outro prove o que diz sentir, preferimos nos manter ausente. Beber orgulho a noite toda para acreditar que, estar só é melhor do que pisar num campo misterioso, que faz com que questionemos constantemente se devemos estar ali mesmo.
É muito fácil querer transparência e demonstrações quando não somos nós que temos que fazer isso, realmente.
Chega a ser difícil interpretar o que queremos demonstrar, porque nossas emoções nos colocam em situações de extrema vulnerabilidade. E ai que está, estamos sempre correndo para longe de situações que podem nos colocar em posição de fragilidade.
Não é anormal pensar assim, veja porque, me mostre alguém que tem responsabilidade afetiva por você?
Somos egoistas. Vivemos a era do egoísmo, não porque achamos ser o melhor, mas para tentarmos sangrar menos.
Quando demonstro, sinto paz até certo ponto, depois me arrependo.
Me arrependo porque todos têm medo, e quando mostro meu lado puro e verdadeiro, o outro encara com receio de estar sendo enganado, e então, ele começa a andar para trás... E eu? não demonstro mais.
No fundo, eu entendo. Não julgo porque, desgraçadamente, eu faço o mesmo.
Haja terapia para suprir a necessidade de mais da metade da humanidade, humanidade essa que nem imagina precisar de terapia, pois é, agora me diz? É errado preferir ocultar emoções, tendo em vista que o outro não saberá lidar com isso, e nem nos?
Talvez, pensar demais sobre isso não nos trará conforto, mas viver sem estar consciente do que sente, cá entre nós, é ter morte lenta, sofrimento constante. É pior do que pisar com os olhos vendados num campo minado.
Convenhamos, eu gosto de correr risco, mas não a ponto de sacrificar a minha vida.
Mas…
“Não há como saber até que passo seremos felizes... Caminhar demais, até caminhar sozinho. Estar só e consciente pode não lhe trazer felicidade, mas veja, a ilusão também não traz. Portanto, desfrute de qualquer forma, e talvez, a felicidade seja a confusão” - B.G
