sexta-feira, 19 de junho de 2020

TUDO É QUESTIONÁVEL?

Há certos momentos em que nos deparamos com certezas aparentemente indiscutíveis, com acontecimentos inevitavelmente fatais, discussões com argumentações impecavelmente inquestionáveis, e por vezes, quando passamos por essas situações estamos intencionados a fazer o mais fácil no momento, visto que diante de situações que, ao que tudo indica imutáveis, o mais sensato é respirar fundo e consentir. Mas por quê? O que eu ganho em consentir? Paz? E se em algum momento que eu consenti eu não concordei, mas só queria que acabasse? Isso não é paz. E se em momentos difíceis eu me enfraqueço? E se meu consentir seja medo? E se em alguns desses momentos que já se passaram eu tivesse questionado? Eu teria coragem de questionar o inquestionável? Eu seria capaz de fazer o que, talvez, ninguém ousou fazer? Mas, como iria saber? Será que o questionamento é melhor do que o silêncio?
O silêncio é precioso, é um grande amigo dos sábios que reconhecem que em alguns momentos da vida silenciar-se significa obter saúde mental, e de fato, significa. Mas o perigo do silêncio está em quando você acha que não tem capacidade de questionar e não porque naquele momento é babaquice manifestar-se. Então, diante disso, por que prefere optar pelo silêncio? Quando na verdade o seu protesto seria o mais correto? O mundo está cheio de consentidos, passivos e mansos, e se em momentos de pressão você se habituar a consentir, jamais conseguirá vislumbrar a imensidão que existe por trás de tantas certezas fajutas.
O questionamento nos remete sempre a dúvida, e vale citar aqui Aristóteles que dizia “A dúvida é o princípio da sabedoria”. O que seria de nossas vidas se não tivessem existido alguns destemidos questionadores e curiosos... Imagina? Que loucura! Talvez, ainda moraríamos numa caverna e nossas leis seriam as da selva, igual a de qualquer animal irracional. Mas não somos seres irracionais, somos seres racionais e em constante evolução, aprendemos dia após dia, somos capazes de nos moldar as mais diversas situações, temos habilidades que nem imaginamos porque ainda não nos questionamos sobre a nossa real capacidade, talvez, por medo? Insegurança? Comodidade? Vergonha? Não sei! Mas, a única certeza que tenho é que, independente do que façamos as pessoas vão julgar, dito isso, nada mais justo do que sermos quem somos. E se NÃO somos apenas toleradores, passivos e menos apontados, então que sejamos questionadores, ativos e mais observados.
Para esse fim, quero deixar claro que não estou dizendo para sair questionando ou discordando de tudo o que for contra suas convicções e impor suas verdades goela abaixo das pessoas, não faça isso! Estou te propondo a expandir sua mente, de modo que saia do habitual e lapide suas armas internas, encare as dificuldades com um olhar mais crítico e não com um olhar vencido, seja um questionador sem julgamentos, se desvencilhe da comodidade do consentimento, se questione o tempo todo! E aos poucos vai ver que a arte não mora nas certezas, e sim nas dúvidas.

Um comentário:

  1. Muito bom !!
    Ouvir mais e falar menos .
    Quando falar ; falar a verdade .
    Bjos...

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