sábado, 27 de junho de 2020

QUANTO MENOS SABEMOS, MAIS FELIZES SOMOS?


Esse assunto nos remete a uma visão ampla de como encaramos a vida. E aqui quero deixar uma breve reflexão da minha percepção sobre essa questão. Responsabilizo-me ao dizer que, a partir do momento que nos dispomos a examinar a nossa existência, fugindo do trivial, e encarando-a com um olhar mais criterioso, com curiosidade, com sede, acabamos por nos apaixonar pelos detalhes e escolhemos o aperfeiçoamento. Mas, ao escolher o caminho do SABER não significa que você será um ser superior, na verdade, quando você troca o NÃO SABER pelo SABER você está se sujeitando a infelicidade, pois, raramente você será suprido de suas expectativas. O NÃO SABER é uma dádiva, sim! Porque ele nos faz aceitar tudo como é, sem bloqueios, sem hesitação, sem discussões, de modo que, parece não ser necessário se preocupar demais com o próximo vexame na política sobre corrupção, ou qual presidente será eleito nos próximos anos, e se esse presidente sem fórmula mágica irá dar um basta em benefícios fajutos e nos trará, de fato, o que realmente necessitamos: o desenvolvimento na educação, saúde, segurança, entre outros fatores escassos atualmente. O SABER é uma terra perigosa para pisar, o NÃO SABER também é uma terra perigosa, mas, uma tentação para se viver, pois, nessa terra não se perde muito tempo procurando defeitos, seja eles no modo de viver, de falar, de opinar, de acreditar. O NÃO SABER, significa satisfazer-se com o básico, sem se aprofundar em assuntos que passam na TV, ou ir contra o que o presidente está dizendo, ou debater sobre a cultura imposta pela mídia na sociedade, ou se quer, ter ideia de que somos manipulados a partir da nossa ignorância. Olhando por esse ângulo até parece que a terra do SABER é mais vantajosa, e realmente, não deixa de ser uma excelente escolha quando se pretende traçar suas próprias linhas de pensamento sem costumeira, quando se anseia por mudança ao invés de conservadorismo, quando se acredita que a cada nova informação é uma lição dada para analisarmos e questionarmos. Porém, há uma parte dessa opção tragicamente inevitável, que é quando O SABER nos desvenda que a cada particularidade de nossa decisão em desbravar a terra perigosa, mas não tentadora, encontraremos diversos caminhos sem saída, não que não tenha como sair, mas, quase sempre você estará sozinho, e nessa terra, sozinho é muito difícil ter ânimo para continuar buscando a saída. Simplificando, de tempos em tempos você se sentirá sozinho, ninguém vai te entender, você vai até se arrepender de um dia ter optado por saber demais, porque quanto mais souber, mais insatisfeito você estará. Principalmente, quando começar a perceber que você vive rodeado de alienados, e que eles sorriem mais do que você. Eles são cheios de certezas e você de dúvidas. Eles ficam felizes em ver uma promoção de sapato, e você, de tomar um café olhando as notícias do mundo, atento quanto ao “fake News” para poder compartilhar a novidade. Você se sentirá deslocado até que encontre outro louco que também decidiu desbravar a mesma terra, e talvez, vocês consigam achar uma saída, e isso te anime a acreditar que nem tudo está perdido.
Sem mais delongas, posso lhes dizer que, a meu ver, é mais fácil viver sem SABER, porém, viver sem saber, é viver a mercê! Se não se importar em perpetuar sua vida acreditando em crenças alheias, então, você está apto a viver na terra tentadora e terá uma vida com expectativas supridas. Mas, se você insiste em não se submeter a hábitos duvidosos, com pitadas recheadas de manipulações, então, bem vindo a infelicidade! Nessa terra você terá momentos maravilhosos, mas, saiba que é um grande desafio, pois, raramente irá encontrar alguém com quem possa compartilhar suas ideias. Deve estar ciente de que, o normal atualmente é NÃO SABER, então, esteja preparado para enfrentar o mundo de ponta cabeça.

Textos nada românticos
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